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Governança em grandes eventos do Esporte: dignidade, justiça e lisura

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*Por Suelen A. da Silva e Gabriel Cardoso de Mello  

Grandes eventos esportivos como os Jogos Olímpicos e as Paraolimpíadas sempre deixam boas lembranças e marcas em todos nós. Das últimas Olimpíadas, realizadas no Japão em 2021, levaremos o logo Japan 2020. Além do ano discrepante, como lembrança teremos as arquibancadas vazias, uma consequência da pandemia da Covid-19.

Hoje, os Jogos Olímpicos, que já têm dois mil anos de história, são considerados o maior evento esportivo do planeta, com o objetivo estimular a competição sadia e justa entre os povos dos cinco continentes. E quando falarmos em justiça aplicada a diferentes povos do mundo, imediatamente a Governança se faz presente. Como dizia Pierre de Coubertin, considerado o fundador dos Jogos Olímpicos, “O Importante não é vencer, mas competir. E com dignidade”. E como garantir dignidade, transparência e justiça sem Governança? Não há como.

A Governança sempre esteve presente na organização de grandes eventos como os Jogos Olímpicos e as Paraolimpíadas, evoluindo em modelos, sistemas e programas ao longo dos anos, permitindo e sustentando toda estratégia e execução para tornar os eventos e a sociedade esportiva um ecossistema mais sustentável. A estrutura de Governança dos Jogos foi modelada e remodelada diversas vezes pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), desde 1894. Isso demonstra a sua constante evolução e atualização, capaz de absorver novas perspectivas, stakeholders e o status de ever changing risks.

(Fonte: Jean-Loup Chappelet (2021): The Governance of the Olympic System: From One to Many Stakeholders, Journal of Global Sport Management, DOI: 10.1080/24704067.2021.1899767)

Gerenciamento de Riscos nas Olimpíadas

Os processos de Gerenciamento de Riscos apareceram pela primeira vez no planejamento das Olimpíadas em 1988, nas Olimpíadas de Inverno de Calgary, utilizando pesquisas de eventos passados com o objetivo de avaliar a exposição a riscos e rever contratos para também avaliar riscos potenciais e outros pontos.Em 2010, nas Olimpíadas de Inverno de Vancouver, o Comitê Olímpico foi responsável pela completa implementação de um programa de ERM (Enterprise Risk Management), categorizando 53 áreas de desenvolvimento com riscos agrupados em: Anteriores aos Jogos, Durante os Jogos e Após os Jogos, criando assim uma cultura de gerenciamento de riscos a partir de uma perspectiva de gestão ativa, de antecipação a da materialização de riscos potenciais.

Em 2021, nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, buscando proporcionar um evento mais transparente e sustentável, o COI foi certificado por utilizar a padronização ISO 31000 para o framework de ERM, com o objetivo de ter processos e códigos claros na identificação, avaliação e gerenciamento dos riscos potenciais e seus devidos planos de mitigação. Além disso, o modelo de três linhas de defesa foi e vem sendo utilizado como uma forma de garantir uma robusta estrutura de Governança, com a preocupação de disseminar o Código de Ética durante os eventos esportivos.

Be better, together for the planet and the people”, Riscos e Sustentabilidade

A organização dos eventos esportivos vem caminhando para um modelo colaborativo e sustentável, não ficando somente a responsabilidade ao COI, mas também a todos os stakeholders, os quais apresentam as suas preocupações, contribuem para estruturas mais sustentáveis e promovem boas práticas socioambientais.

Nas Olimpíadas de Tóquio 2020, a estrutura de Governança e Gestão de Riscos foi colocada à prova devido à situação global em função da pandemia da Covid-19. O slogan dos Jogos, “Be better, together for the planet and the people”, propôs uma mudança de perspectivas e transformações atuais. Os esforços para proporcionar iniciativas sustentáveis como as instalações com camas produzidas com papelão, medalhas feitas com materiais recicláveis e transporte com carros elétricos e autônomos contribuíram fortemente com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, deixando um legado real à sociedade.

Paris 2024: O que vem por aí

Todos esses aprendizados, tanto de Governança e Gestão de Riscos quanto de Sustentabilidade, são temas centrais para as Olimpíadas de Paris 2024. Num cenário de rápidas transformações e regulamentações mais rígidas e abrangentes que estão sendo formuladas e aplicadas a nível global, a Europa desponta como grande propulsora e incentivadora das boas práticas ESG e, dessa forma, Paris 2024 tem como grande objetivo proporcionar a toda comunidade local e internacional os Jogos mais sustentáveis do mundo, criando referências em Sustentabilidade e inovação para as próximas edições.

Neste contexto, Paris 2024 será a primeira edição de Olimpíadas a obter um certificado internacional de Sustentabilidade, a ISO 20121, que atesta as melhores práticas em Sustentabilidade na organização de eventos globais, reforçando o comprometimento dos Jogos em assegurar que a Sustentabilidade, a Gestão de Riscos e a Governança serão tratados com a máxima atenção. Será a primeira Olímpiada a estar alinhada com os objetivos definidos no Acordo de Paris para mudanças climáticas, tendo como uma das metas a redução em 55% da pegada de carbono dos Jogos, comparada à pegada de carbono de Londres 2012 e Rio 2016.

The ISO 20121 certification guarantees that Paris 2024 will have, from the very beginning, a sustainable management system that will exceed IOC expectations.

JEROME LACHAZE, HEAD OF SUSTAINABILITY, PARIS 2024

A Força-Tarefa Compliance 2024

Um grupo formado por especialistas em compliance de todo o mundo tem como objetivo garantir a conformidade dos Jogos com grande foco em questões de anticorrupção e direitos humanos, totalmente alinhado também com os ODS da ONU.

Assim como acontece em todas as empresas, a vontade, a organização e a Governança são pontos-chave para se alcançar os objetivos traçados em busca da concretização da estratégia almejada. Não podemos esquecer que em todas estas situações, seja nos eventos esportivos ou fora deles, há muito esforço, envolvimento e propósito que deixarão um legado para toda a humanidade.

Legenda Table 1:

IOC: International Olympic Committee

OCOG: Organizing Committee for the Olympic Games

NOC: National Olympic Committees

IFs:  International Sport Federations

NGB: National Federation or Governing Body

OLYs: Olympic Athletes

RHB: Right Holding Broadcasters

GVTs: National or Regional Governments

CAS: Court of Arbitration for Sport

WADA: World Anti-Doping Agency

INGO: International Non-Governmental Organizations

* Suelen A. da Silva é entusiasta das boas práticas da governança sustentável, Mestre em Estratégia Empresarial pela FGV EAESP e com especialização em estratégia para negócios sustentáveis pela Harvard Business School, atua como Research Coordinator na Bravo GRC.

*Gabriel Cardoso de Mello é cientista e entusiasta de assuntos relacionados à ESG com formação pela Universidade Federal do ABC, atua como Research Analyst na Bravo GRC. 

Artigo publicado originalmente pela revista Exame

A jornada em busca de uma economia global sustentável

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Estudo da Bravo Research mostra a evolução das regulamentações para garantir transparência às práticas de governança corporativa em diferentes países e regiões

A sigla ESG começou a ganhar projeção ao ser destacada no relatório Who Cares Wins, Connecting Financial Markets to a Changing World, divulgado pela ONU, em 2004. A publicação procurava demonstrar a necessidade de se incorporar princípios sociais, ambientais e de governança na tomada de decisões das instituições financeiras.

Mas o que significa mesmo ESG? A letra E (do inglês, Environmental) diz respeito às questões ambientais, enquanto o S abrange aspectos sociais. Já o G (Governance) não apenas trata da ética nos negócios – o que inclui o combate às práticas de corrupção, racismo, assédios moral e sexual etc –, mas cuida também da incorporação das demais áreas do ESG à estratégia das organizações.

Por essa razão, nos últimos anos, as regulamentações que buscam assegurar transparência às práticas corporativas se multiplicaram ao redor do mundo. E o impacto dessa transformação é sentido principalmente no mercado financeiro. É o que demonstra o estudo Regulamentações – Maior transparência nas práticas de governança em organizações, lançado recentemente pela Bravo Research, braço de pesquisa da Bravo GRC, empresa especializada em governança corporativa, risk management e compliance.

Lideradas pela União Europeia e o Reino Unido, essas iniciativas fortalecem as boas práticas de governança e oferecem amparo à transição para uma economia sustentável. “É necessário que existam regras bem definidas para que todos utilizem o mesmo referencial, tornando possível fazer análises e comparações entre organizações e explicitando pontos de melhorias nas estruturas regulatórias”, explicam Suelen Silva e Gabriel Mello, da equipe da Bravo Research.

União Europeia: em constante aprimoramento

Já em 2014, por meio da regulamentação The Non-Financial Reporting Directive (NFRD), a União Europeia determinou que empresas com mais de 500 funcionários, listadas em bolsas ou classificadas como public-interest, deveriam reportar os impactos de suas atividades sobre aspectos ESG. A regra valeria, também, para bancos e seguradoras.

Em abril de 2021, uma nova regulamentação foi proposta. Trata-se da Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD), que estende as obrigatoriedades de disclosure a grandes corporações, independentemente da quantidade de colaboradores ou de terem capital aberto. Além disso, a norma passou a valer para pequenas e médias organizações com atuação em mercados regulados.

Além de ampliar o universo de companhias submetidas às diretrizes de report de 11 mil para 50 mil, a CSRD torna mais exigente o detalhamento das informações com a adoção de standards alinhados ao modelo da Global Reporting Initiative (GRI). Como a CSRD deverá ser publicada até o final de 2022, os primeiros relatórios com as novas orientações serão divulgados em 2024, utilizando o ano de 2023 como referência.

A Bravo Research aponta, ainda, que outras duas resoluções da União Europeia terão impacto no mundo corporativo. Uma delas é a The Sustainable Finance Disclosure Regulation (SFDR), que deve ser aplicada ainda em 2021. A medida padroniza as informações de performance financeira e boas práticas ESG tendo em vista a transição para uma economia de baixo carbono. A outra é a Taxonomy Regulation, que deverá entrar em vigor em janeiro de 2022. Em sua essência, a regulação baseia-se em padrões científicos para avaliar o desempenho das empresas a partir da perspectiva ambiental, enfatizando o cumprimento das metas do Acordo de Paris.

Reino Unido: pioneirismo à prova

Após formalizar a separação da União Europeia, o Reino Unido lançou a Green Finance Strategy em julho de 2020, assumindo o posto de primeiro país a tornar obrigatória, até 2025, a divulgação de informações acerca de fatores ESG seguindo as recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD). Criada em 2015, a TCFD desenvolve padrões comuns com base em quatro pilares (Governança; Estratégia; Gestão de Riscos; e Métricas e Objetivos) para que as organizações possam medir e divulgar os riscos financeiros relacionados ao clima.

China e Hong Kong: grandes empresas, maiores responsabilidades

A preocupação com os aspectos ESG envolve também o governo da China, que está empenhado em atrair uma quantidade cada vez maior de investidores estrangeiros – que costumam exigir melhorias nos processos de report de informações.

Outro fator que impulsiona o alinhamento é a concentração de grande parcela de empresas chinesas na lista das 500 maiores do planeta. Os órgãos reguladores do país aprovaram a obrigatoriedade da divulgação de metas ESG para companhias listadas a partir de 2021. Ao mesmo tempo, com a adesão ao Acordo de Paris, a China se comprometeu a cumprir as metas referentes a carbono neutro até 2060, aumentando os subsídios estatais para a produção de veículos elétricos e a promoção de energia renovável.

Já Hong Kong investe em regulamentações ESG há mais tempo. Em 2012, por exemplo, a bolsa de valores local divulgou a primeira edição do Guidelines on Environmental, Social and Governance Reports, que sugeria a divulgação das diretrizes ESG nos relatórios das empresas – ainda que em caráter voluntário.

Em 2016, elas passaram a ter obrigação de reportar informações sobre 11 indicadores ESG. No ano seguinte, foram adicionados mais 12 indicadores ambientais para acompanhamento anual. Finalmente, a divulgação de itens materiais em ESG tornou-se obrigatória a partir de 2019.

Estados Unidos: para não perder a onda

Menos avançados, os Estados Unidos buscam atualizar medidas e padrões de controle e gerenciamento vinculados a fatores ESG. Em março deste ano, a Securities and Exchange Commission (SEC) – agência federal de regulamentação e controle dos mercados financeiros do país – anunciou a abertura de um período de consultas públicas para desenvolver e implementar uma nova estrutura de divulgação de dados. O objetivo é assegurar maior transparência e melhor verificabilidade das estratégias e práticas ESG associadas a produtos de investimento.

Bancos centrais engajados

O levantamento da Bravo Research destaca também as iniciativas da The Networking of Central Banks and Supervisor for Greening the Financial System (NGFS), mobilização de mais de 30 bancos centrais do mundo iniciada nas negociações do Acordo de Paris, em 2017. A finalidade da NGFS é dar suporte ao compartilhamento de ideias e pesquisas sobre melhores práticas de gestão ambiental e de riscos climáticos no mercado financeiro. A expectativa é de que os principais agentes do setor se mobilizem cada vez mais em favor de uma economia sustentável.

O Fórum: Governança 4.0 é uma coprodução de MIT Sloan Review Brasil e Bravo GRC. Publicado originalmente no Fórum Governança 4.0.

Brasil avança em regulamentações de ESG

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Alinhado a uma tendência predominante entre grandes potências, País acelera em normatizações para impulsionar as boas práticas de sustentabilidade no ambiente corporativo

Em um cenário de avanços a passos rápidos em nível mundial, o Brasil corre contra o tempo para se alinhar a regulamentações internacionais sobre questões relacionadas ao ESG (Ecossistema Ambiental, Social e de Governança) que incidem sobre as práticas corporativas. É o que mostra o estudo Regulamentações – Maior transparência nas práticas de governança em organizações, divulgado recentemente pela Bravo Research, braço de pesquisa da Bravo GRC, empresa especializada em governança corporativa, risk management e compliance.

Depois de mapear as regulamentações adotadas mundo afora nos últimos anos, o levantamento aponta iniciativas da B3, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil como pilares para impulsionar os princípios ESG entre as instituições financeiras do País.

Em sintonia com a ONU

Um exemplo citado pela Bravo Research é a iniciativa “Relate ou Explique”, adotada pela B3 em parceria com a Global Reporting Initiative (GRI), em 2012. Lançada há quase uma década, a ação tinha como finalidade estimular a inclusão de informações sobre as práticas de sustentabilidade aos relatórios anuais das empresas, fornecendo maior transparência aos investidores.

Anos depois, em 2016, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tornou obrigatória a divulgação dos dados sobre sustentabilidade nos informes empresariais. Com os avanços do tema ESG, a B3 atualizou em 2017 a recomendação do “Relate ou Explique” ao sugerir que os dados acerca das práticas sustentáveis fossem relacionados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

A busca pelo compromisso com os objetivos levou à criação do Programa Ambição pelos ODS, uma iniciativa do Pacto Global da ONU e que está com inscrições abertas para sua 2ª edição até 24 de setembro (que você encontra neste link).

Com a missão de desafiar e auxiliar as empresas signatárias para que estabeleçam ambiciosas metas relacionadas aos ODS em suas estratégias de negócios, a primeira edição da iniciativa contou com mais de 600 organizações de 65 países, somando mais de 7,9 milhões de colaboradores e 1 trilhão de dólares em receita. No Brasil, 22 companhias participaram do projeto, alinhando metas com as ODS 5, 6, 13 e 16.

Valores internalizados

Outro passo importante, e bem mais recente, foi dado em março de 2021 pela CVM ao concluir audiência pública sobre a reforma da Instrução CVM 480, feita com o objetivo de simplificar e racionalizar a prestação de informações por parte de emissores. Uma das sugestões apresentadas foi a incorporação de aspectos ambientais, sociais e de governança ao documento obrigatório por meio do qual as companhias de capital aberto prestam informações à autarquia.

Além disso, a CVM solicitou que as corporações se posicionem sobre os ODS considerados relevantes no contexto de seus negócios. Um dos pontos abordados foi a diversidade nos cargos de administração e no quadro de colaboradores. A ideia da CVM é que, ao indicar quais informações devam ser divulgadas ao mercado, os fatores ambientais, sociais e de governança sejam internalizados no ambiente corporativo.

Os aprimoramentos sugeridos têm como base inputs apresentados pelo Laboratório de Inovação Financeira (LAB), fórum de interação multissetorial criado em 2017 pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a própria CVM, em parceria com a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. As medidas entram em vigor a partir do report de 2022, referente ao exercício de 2021.

PRSA estratégica e mais novidades

O estudo da Bravo Research indica, ainda, as principais resoluções do Conselho Monetário Nacional sobre os impactos socioambientais relacionados ao setor financeiro. Uma delas é a Resolução 4.327, de 2014, que determina a implantação de uma Política de Responsabilidade Socioambiental (PRSA), a qual precisa ser aprovada pela diretoria ou, quando for o caso, pelo Conselho de Administração.

De acordo com as prerrogativas do CMN, a PRSA deve estar integrada à política estratégica de cada empresa, considerando processos e sistemas para identificar, avaliar e mitigar riscos de suas atividades. Além disso, preconiza que a PRSA seja atualizada a cada cinco anos.

Por sua vez, a Resolução 4.661, criada em 2018, é dirigida especificamente às Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs). Ela determina que, ao analisar os riscos dos investimentos, as instituições financeiras devem considerar não apenas os itens relacionados à sustentabilidade econômica, mas também os aspectos de sustentabilidade ambiental, social e de governança. Em 2020, a Coletânea de Normas para Fundos de Pensões reforçou (por meio da inserção da Resolução CNPC n° 32) a prestação de informações sobre como aspectos sustentáveis devem estar inseridos na análise de riscos pelas EFPCs.

O Banco Central do Brasil também se integrou ao processo de adequação das instituições financeiras aos princípios ESG. Em abril de 2021, por exemplo, abriu consulta pública sobre uma proposta de regulamentação de critérios de sustentabilidade no report de riscos sociais, ambientais e climáticos das organizações. Essa nova regulamentação está planejada para entrar em vigor em 2022, passando a orientar os relatórios GRSAC que serão divulgados no ano seguinte.

A implementação das medidas será desdobrada em duas etapas. Na primeira, o foco recairá sobre aspectos qualitativos, priorizando a divulgação de informações claras e consistentes a respeito de governança, estratégia e gerenciamento de riscos ambientais, sociais e climáticos – incluindo atribuições e responsabilidades da diretoria e do conselho de administração das empresas. Ainda nesta fase, as instituições precisarão estabelecer estratégias e processos para gerenciamento de riscos de curto, médio e longo prazos, levando em conta cenários adversos. Já na segunda etapa será obrigatória a divulgação de informações quantitativas com metas e métricas.

O Fórum: Governança 4.0 é uma coprodução de MIT Sloan Review Brasil e Bravo GRC. Artigo publicado originalmente no Fórum Governança 4.0 .

Do subjetivo ao realizável: métricas e indicadores ESG

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Por vezes, podemos ter a sensação, incluindo lideranças C-level, de que o tema ESG é intangível, impalpável, que é externo ao que se define como o negócio de atuação da organização. Precisamos eliminar este incômodo. O mergulho no entendimento dos indicadores e métricas (regulamentações e conceito de materialidade) é indispensável nesta conversa. Como tornar concreto algo que soa abstrato? Como gerar ações?

Qualquer criação de métricas e indicadores serve para acompanharmos e termos como fazer comparações num horizonte de tempo, a partir de objetivos claros e inteligentemente posicionados por uma estratégia. No caso de ESG (Ecossistema Ambiental, Social e de Governança), indicadores e métricas são cada vez mais necessários, mas precisamos também ter visão de que forma essas métricas e indicadores estão criando valor para o negócio. Em outras palavras, seria como destrinchar o processo de criação de valor através de um modelo de gestão ESG. Isso significa torná-lo tangível, interno e pertencente ao negócio.

Um conceito muito conhecido pelo mercado é o ROI (Return On Investment), logo, podemos pensar num RESG, “Return on ESG”. Existem várias formas de reconstituir o processo de criação de valor através do ESG.

Ao enxergar e atender a materialidade corporativa, com atenção à jornada e às especificidades dos stakeholders, ficam claros a causalidade e o risco que afetam as organizações. Conseguimos assim observar quais práticas ambientais, sociais e de governança criam valor, tendo como ponto de partida o modelo de negócios. Desta mesma forma, acendem as oportunidades que podem ser elencadas conforme suas rentabilidades e trazer assim uma nova visão de RECEITA, UM NOVO NEGÓCIO.

As instituições com poder de regulamentação, ao trazerem para o mercado indicadores e padrões de leitura das práticas ESG, garantem transparência sobre como a organização entende os aspectos ESG dentro da sua realidade e como esta organização pretende criar valor por meio destes aspectos, garantindo o ganho sem transgredir o que é importante e vital a todos.

Aqui na Bravo GRC temos soluções de assessoria ao mercado de acordo com o momento e necessidade de implementação de práticas ESG de cada organização. Desde a fase de diagnóstico, passando pelo walk the talk, análise de riscos e materialidade até a geração de novos negócios, assessoramos os nossos clientes na criação de valor por meio de uma governança equilibrada e integral que contempla todos os seus stakeholders.

Quer conversar com a gente para saber mais sobre a nossa assessoria ESG? Clique aqui e mande um email para nosso time comercial.

Regulamentações: por uma economia e sociedade mais sustentáveis e conscientes

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A gente se preocupa em deixar um mundo melhor para os nossos filhos, mas nós deveríamos nos preocuparmos em deixar filhos melhores para o mundo.” 

A frase, cujo autor é desconhecido, reflete uma preocupação emergente do mundo: o comportamento da sociedade. Muito se fala em ESG, em Sustentabilidade, Governança, Riscos e Compliance. Mas o que está por trás de todas estas questões é o nível de mudanças que vêm ocorrendo  na  sociedade dos diferentes países pelo mundo.  

Uma sociedade em transformação requer um olhar para o ecossistema socioambiental mais maduro. E é neste contexto que pautas socioambientais despontam, tentam ganhar voz e avançar na sua agenda. 

Para acompanhar esta transformação que acontece desde o consumidor até grandes fundos de investimentos, novas regulamentações se fazem necessárias. A sociedade precisa de um direcionamento, uma fonte e métricas confiáveis para poder entregar e alocar os indicadores que irão trazer luz sobre como as questões ambientais, sociais e de governança são tratadas pelas empresas, organizações e pelo setor público. 

Legislar um estado pelo bom senso das pessoas pode parecer algo catastrófico e caótico, por isso a necessidade da inserção das leis para o bom regulamento das sociedades civis. A mesma referência podemos trazer ao meio das organizações: ter o processo de avaliação, report e demonstração das ações socioambientais sem ter regulamentações também pode ser algo catastrófico e caótico, afinal como vamos entender o que está sendo feito pelas organizações? 

As novas regulamentações ESG fornecem padronizações importantes na divulgação de dados financeiros e não financeiros pelo mundo afora, promovendo maior transparência não somente a investidores, mas também a clientes, governos, órgãos reguladores e demais stakeholders, a fim de possibilitar análises e comparações mais assertivas e que possam refletir de fato o atual status de cada empresa e organização.  

Um Giro pelo Mundo 

Como grandes fomentadores das boas práticas ESG no mundo corporativo, a União Europeia e o Reino Unido se destacam com regulamentações válidas para todo o ecossistema industrial e principalmente financeiro, atingindo além de grandes corporações, também pequenas e médias empresas que necessitam estar em conformidade com as novas regulamentações até 2025. Eles ditam a tendência. 

EUA e China caminham para o endurecimento das regulamentações atuais, promovendo consultas públicas e introduzindo guias e diretrizes produzidos por autorreguladores como bolsas de valores, solicitando informações detalhadas em relatório anuais e orientando métricas para gerenciamento.  

No Brasil, instituições fortes como o Banco Central do Brasil (BC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Conselho Monetário Nacional (CMN) e a Bolsa de Valores (B3) estão trabalhando a passos rápidos com consultas públicas, reavaliação de regulamentações atuais, requisição de novas informações ESG em relatório anuais.  

Podemos dizer que o efeito cascata será cada vez mais presente em empresas e organizações independentemente do tamanho ou setor. Seja pela imposição dos credores, investidores ou consumidores, todos os stakeholders parecem dispostos a exercer a sua parcela de pressão em busca se resultados mais sustentáveis.  

O caminho para uma economia mais sustentável é de longo prazo e deve ser iniciado o quanto antes, a qualquer momento. Quem deixar para depois, pode sofrer impactos muito caros para serem revertidos, tanto em custo quanto em tempo.  

Deixar a pauta da gestão sustentável para mais tarde é como chegar depois dos  parabéns na festa de aniversário. O bolo já foi partido e dividido. 

Pensando sempre em cooperar para que todos alcancemos uma economia mais sustentável, a Bravo GRC lança o seu segundo volume do Guia Rápido ESG: Regulamentações. Clique aqui e confira.  

Bravo GRC implementa plataforma SAI360 para gerenciar os principais riscos da Nexa

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Mineradora implementa sua metodologia de ERM em uma única plataforma de governança.

A Bravo GRC, RiskTech líder em prover soluções estratégicas de alto impacto em GRC (Governança, Gestão de Riscos e Compliance) e ESG (Environmental, Social and Corporate Governance), concluiu a implementação da plataforma de GRC SAI360, da líder mundial Sai Global, na mineradora Nexa, embarcando de forma integrada a estrutura de ERM (Enterprise Risk Management) da companhia.

Segundo a analista de Riscos da Nexa, Mariana Saran Ferreira de Castro, o SAI360 possibilitou a migração de um trabalho manual, dependente de planilhas, para um processo dentro da plataforma. “O ano de 2020 foi muito desafiador. Com a pandemia, as visitas a campo foram canceladas, e a atualização dos riscos já teria que acontecer remotamente. O sistema ficou pronto e toda a reavaliação de riscos foi feita no SAI360, assim como a atualização de status dos planos de ação e a inserção de novos riscos na matriz. Um treinamento foi dado aos nossos pontos focais de cada unidade/área para que eles mesmos pudessem fazer o processo”, detalhou.

A profissional ainda destacou a eficiente interface entre os times da Bravo GRC e da Nexa. “Primeiro apresentamos nosso processo as is e depois desenhamos juntos o processo to be. Enviamos o modelo de relatório que era usado para que a sua extração pudesse ser feita automaticamente com as informações imputadas na plataforma. Para acompanhamento do projeto, fizemos reuniões semanais em que apresentávamos o status e as principais pendências e dificuldades encontradas”.

Antes, a equipe de Riscos da Nexa dedicava grande parte do trabalho consolidando as informações, atualizando gráficos e traduzindo para três idiomas (Português, Inglês e Espanhol). “A chegada do SAI360 trouxe mais rapidez e inteligência ao processo”, apontou Mariana. A mineradora buscou sistematizar seu processo para focar os esforços na estratégia do negócio e tornar a gestão de riscos corporativos uma grande apoiadora na tomada de decisão da liderança. “Queremos ser benchmarking no tema e trazê-lo cada vez mais próximo das áreas usuárias, garantindo uma estrutura organizacional que empodere os empregados na gestão de riscos”.

O principal ponto positivo identificado foi o desenvolvimento de uma inteligência em gestão de riscos. “Já estamos sendo reconhecidos por nossos stakeholders como impulsionadores e aliados, promovendo troca de conhecimento e integração das áreas e processos”, pontuou a analista de Riscos.

Potencializar a gestão de riscos corporativos

Ao implementar o SAI360 na Nexa, a Bravo GRC tinha como objetivo potencializar a gestão de riscos corporativos. Por meio de avaliações periódicas de riscos, os gestores responsáveis passam assim a informar o nível de exposição ao risco à área de ERM (Enterprise Risk Management). Os riscos mais críticos geram planos de ação que, por sua vez, são acompanhados por ERM para assegurar que eles estejam sendo mitigados ou pelo menos mantidos a níveis adequados.

Em complemento ao monitoramento, foi implementada a gestão de KPIs e KRIs para potencializar o alcance e profundidade da área de ERM. “Percebemos que poderíamos aprimorar e apoiar muito a forma de trabalho da Nexa, levar o máximo para dentro da tecnologia, do meio, eliminando retrabalhos. Indo ainda mais adiante, criamos, em conjunto com o cliente, a visão de uma metodologia de ERM robusta, consolidada e dinâmica, além de pavimentarmos a jornada para a evolução da governança. Neste cenário, os  diversos indicadores poderão inclusive compor todo o driver de ESG da companhia”, detalhou Claudinei Elias, CEO e Fundador da Bravo GRC.

Com o SAI360, a área de ERM dispõe de uma plataforma poderosa de coleta de informações corporativas, as quais são processadas automaticamente, gerando dashboards e relatórios em tempo real, em apenas um clique. Comunicações automatizadas e alertas de pendências de resposta dos usuários auxiliam ainda mais o gerenciamento, economizando mais tempo da área.

Ao fornecer uma ferramenta dedicada a atendê-los, disponibilizando todas as informações ao gestor de forma simples e amigável, a Bravo GRC, com a utilização do SAI360, se torna uma facilitadora de engajamento e promove a transformação cultural do ponto de vista de governança.

“A Bravo GRC trouxe para a Nexa a sua experiência em projetos complexos de ERM, GRC e ESG. Temos conhecimento sobre as melhores formas de implementação de metodologias, formas de trabalho e formas de apresentação de dados por meio dediversos mecanismos disponíveis na tecnologia, como dashboard, relatórios e outros. Levamos ao cliente inteligência para tornar o dia das áreas mais fluído. Promovemos uma governança que revoluciona o amanhã; com ações no presente, construímos um grande futuro”, finalizou Elias.

Sobre a Nexa

A Nexa Resources é uma das maiores mineradoras de zinco do mundo, além de produzir cobre e chumbo. Atua há mais de 60 anos nos segmentos de mineração e metalurgia, com operações localizadas no Brasil e no Peru e escritórios em Luxemburgo e Estados Unidos, fornecendo seus produtos para todos os continentes do mundo. Seus colaboradores atuam, todos os dias, focados na construção da mineração do futuro, para ser cada vez mais sustentável, inovadora e com as melhores práticas de segurança e respeito às pessoas e ao meio ambiente. Desde 2017, suas ações são negociadas nas Bolsas de Valores de Nova York e Toronto, sendo seu acionista majoritário a Votorantim S.A.

Para mais informações, acesse: http://www.nexaresources.com

Sobre a Bravo GRC

A Bravo GRC é uma risktech líder na implementação de soluções robustas para Governança, Riscos e Compliance (GRC).

Com 15 anos de experiência e atuação somados ao core business de GRC, seu portfólio oferece tecnologias para Gestão de Riscos Corporativos (ERM), Environmental, Social and Governance (ESG), Cyber Security e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Por meio de soluções inovadoras e transformadoras, a Bravo GRC visa descomplicar a tecnologia e aplicar metodologias eficientes para garantir transparência e proteger, com responsabilidade e resiliência, todos os stakeholders, a sociedade, o planeta e o lucro das organizações. Para isso, desenvolve processos de cocriação e coinovação com os clientes, envolvendo inteligência em riscos e governança em prol do seu propósito.

Baixe este case aqui.

Procurando saber mais sobre ESG?

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Um guia prático e rápido para as referências conceituais e indicadores em ESG, dedicado a todos que tenham interesse na área.

O assunto em voga é ESG (Environmental, Social and Governance) e muitos ainda estão desbravando estas siglas para entender o que elas representam e como impactam o dia a dia das pessoas e organizações.

Para que você possa entender mais o que está por trás destas três letras e seus aspectos principais, elencamos referências que não podem deixar de ser consultadas quando queremos ter acesso às principais informações sobre ESG para construir um conhecimento acerca do assunto, a fim de pensar em estratégias de sustentabilidade que se adequem ao perfil da sua organização.

Estas referências servirão como um guia, uma fonte de alimentação para que você possa navegar pelo tema. O ideal é que as organizações olhem primeiro para dentro, um processo de análise e busca pela transformação para uma cultura corporativa consciente sobre aspectos socioambientais e uma governança transparente. Isso facilitará a escolha mais adequada de ferramentas de acompanhamento e reporting que melhor reflitam o propósito da organização.

O ESG ganhou muita força nos últimos anos e tem origem em dois movimentos separados, que se convergem cada vez mais. O primeiro é o accountability. Cada vez mais, as pessoas estão interessadas em conhecer o impacto que as empresas têm sobre seus colaboradores, clientes, suas comunidades e sobre o meio ambiente.

Portanto, continuamente tentamos quantificar estas estruturas em métricas, as quais agora possuem novas categorias como o social, o ambiental e os aspectos da governança. De outro lado, temos o movimento do business valuation com o argumento de que as métricas que o mercado tem hoje não conseguem capturar todo o desempenho e valor da empresa, pois não conseguem capturar aspectos intangíveis, tais como capital intelectual, social e humano do negócio. As métricas de ESG podem indicar como mensurar este capital. Por isso, muitas vezes veremos neste e em outros materiais o termo “disclosure”, que significa um processo de acesso público às informações financeiras e de resultados de uma empresa, com o objetivo de dar transparência para os dados.

“Este é o primeiro volume do Guia Rápido ESG desenvolvido pela Bravo Research, área de pesquisa da Bravo GRC. Por meio desta publicação, buscamos demonstrar os caminhos para a jornada ESG, com todos os materiais que podem ser úteis para você e para a sua empresa se adaptarem a esta realidade. Em breve, lançaremos outros guias que complementam este primeiro, sempre em busca de compartilhar dados e conhecimentos sobre ESG. Aguardem e nos acompanhem!”

Claudinei Elias, founder e CEO da Bravo GRC

O primeiro volume do Guia Rápido ESG tem como objetivo apresentar, de maneira sintetizada e estruturada, as principais organizações e iniciativas globais que são referência em ESG (Environmental, Social and Governance). Uma forma rápida, leve e direta de compreender como as discussões acerca de temas socioambientais e de governança estão difundidas por diversos setores de mercado e nas próprias organizações. Baixe aqui o Guia Rápido ESG – Referências conceituais e indicadores, produzido pela Bravo Research.

Em breve lançaremos o Guia Rápido ESG Volume 2, que abordará como as regulamentações impactam o ecossistema – principalmente o mercado financeiro – de cada país, cada região e, ocasionalmente, geram um efeito cascata, atingindo investidores, fornecedores e outros participantes. Fique ligado em nossas redes sociais ou cadastre-se em nossa newsletter para saber quando será o lançamento.

Estratégias de GRC suportam crescimento de PMEs

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Embora menores em porte, pequenas e médias empresas, especialmente as nativas digitais, precisam de políticas de GRC para reduzir riscos e permitir escalabilidade

* Angela Miguel

Não importa o tamanho do negócio. Micro, médio, gigante. Para toda e qualquer empresa que deseja estar preparada para o futuro e fornecer jornadas satisfatórias para os clientes, a máxima “toda empresa é uma empresa de tecnologia” é inevitável.Nesse sentido, o autor Steve Brown, autor do livro The Innovation Ultimatum, reflete sobre a relevância e a adoção de tecnologias como inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT) para sugerir a seguinte provocação: será que essas disrupções digitais serão responsáveis por acabar com empresas que não sejam “de tecnologia”?

Embora essa ainda seja uma hipótese sem resposta, não dá para ignorar que as organizações necessitam cada vez mais de soluções e ferramentas tecnológicas para garantir suas operações, um movimento que foi acelerado pelo cenário pandêmico. De acordo com levantamento realizado pela Microsoft, Como as PMEs brasileiras enfrentaram a pandemia de covid-19, 78% das empresas respondentes afirmaram que a adoção de novas tecnologias é o que há de mais fácil a ser implementado para o momento de retomada.

Enquanto 42% das PMEs aceleraram a adoção tecnológica, 83% entendem que essa implementação é a resposta para a recuperação econômica do Brasil. E como prova dessa crença, 82% dos participantes afirmaram que pretendem continuar com esse processo de transformação digital.

Grandes empresas versus PMEs

No entanto, esse uso determinante de inovações faz com que riscos relacionados à gestão dessas soluções e informações cresçam, o que exige a criação de políticas para que os negócios saibam lidar com tais ameaças cibernéticas. Tal condição faz com que investimentos em estratégias GRC (governança, riscos e compliance) sejam tão imperativos para pequenas e médias empresas quanto para organizações de maior porte. Ao mesmo tempo, boas práticas de gestão, com processos bem mapeados e em constante evolução permitem uma alta escalabilidade.

Dados trazidos pelo O Mercado Global de Governança, Riscos e Compliance até 2025, produzido pela Bravo Research, braço de pesquisa da Bravo GRC, mostram que, ao contrário do senso comum, o investimento em estratégias de governança, riscos e compliance tem se intensificado entre as PMEs, e não entre grandes companhias. Para 2025, a perspectiva é de que essa divisão seja quase igualitária.

gráfico grandes corporações versus PMEs mercado GRC

Fonte: Bravo Research

O levantamento indica que, em quatro anos, as grandes corporações devem continuar na liderança com US$ 31,3 bilhões do mercado, uma participação de 52%; já as PMEs devem atingir US$ 29,5 bilhões e 48% de market share.

A expectativa, segundo a pesquisa, é que o investimento em GRC para as PMEs, entre 2014 a 2025, cresça aproximadamente 480%, passando de US$5,1 bilhões para cerca de US$30 bilhões. O estudo aponta que, na Europa, a utilização de soluções GRC pelas PMEs deve atingir 52% do mercado em quatro anos.

GRC na mira das PMEs brasileiras

Na conjuntura brasileira, a perspectiva sobre investimentos em GRC são ainda mais interessantes. Especialmente em relação a questões regulatórias, de segurança, armazenamento e privacidade de dados, especialmente em decorrência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), as PMEs, assim como as grandes organizações, necessitam de soluções cada vez mais robustas em governança, riscos e compliance. São iniciativas essenciais para assegurar o crescimento sustentável e seguro das organizações.

No caso de companhias de grande porte, até 2020, o mercado de GRC somou US$320 milhões. Com 65% de market share, o crescimento verificado entre 2014 e 2020 foi de 70%. No entanto, a expectativa para 2025, segundo o relatório da Bravo Research, é que o market share dessa fatia corporativa sofra uma leve redução para 63%, embora a previsão seja de crescimento médio anual de 9,1%, na ordem de US$495 milhões.

soluções GRC para PMEs

Em um cenário otimista em que as pequenas e médias empresas devem crescer 11% ao ano, média aproximadamente 2% maior em comparação com as grandes empresas, a projeção é que as organizações menores passem a tomar 37% do market share no País.

“Seu market size de U$172 milhões em 2020 já era o dobro do registrado em 2014, e a projeção para 2025 é de U$291 milhões. Este dado relata plena expansão para PMEs, o que pode ser explicado pelos crescentes processos de transformação digital e IPOs das organizações, além do aumento de requerimentos regulatórios”, aponta o relatório.

Impacto sob controle

No caso das pequenas e médias empresas, especialmente as familiares, práticas de GRC são imprescindíveis para alçar novos (e seguros) voos. Mas a criação e a manutenção dessa estrutura simboliza um grande desafio para companhias desses portes, já que é natural que empreendedores concentrem seus esforços nos resultados do caixa em vez de processos e gestão de risco e compliance.

Essa preocupação se torna ainda mais preponderante quando esses negócios decidem ganhar corpo, acessar o mercado de capitais ou participar de fusões. O impacto de comportamentos inadequados ou de fraudes pode comprometer certos movimentos esperados há muito pelas empresas. Para isso, a criação e o monitoramento de normas de compliance pode ser crucial, assim como a varredura de processos de risco. Contudo, paralelamente, políticas de GRC exigem a revisão contínua do planejamento estratégico desenhado a priori.

Da mesma forma, uma governança robusta é fator de alta atratividade para investidores, devido à transparência e boas práticas que a empresa proporciona internamente e externamente. Demonstra, ainda, prontidão das PMEs a respeito das mudanças regulatórias de seu nicho de mercado, evitando possíveis multas e/ou processos judiciais em caso de expansão.

Artigo originalmente publicado em: O Fórum: Governança 4.0 (coprodução de MIT Sloan Review Brasil e Bravo GRC)

GRC e Megaeventos

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O impacto da cultura de gerenciamento de riscos

* Gabriel Mello

Os bons resultados e estratégias para alcançarmos uma governança robusta em megaeventos a exemplo dos Jogos Olímpicos, tanto no que se refere à segurança quanto à continuidade, são semelhantes aos processos, controles e frameworks utilizados em empresas e organizações. 

Os programas preventivos, os planos de continuidade e o gerenciamento de riscos são de fundamental importância para o bom andamento de qualquer atividade ou projeto. Os processos de gerenciamento de riscos – desde a sua identificação até o desenvolvimento de planos de ação – são importantes para garantirmos que a materialização de riscos potenciais tenha consequências menos complexas do que o previsto. E caso o risco se consolide, já existirá um plano de ação para minimizar seus impactos. Neste cenário, fica clara a relação entre as boas práticas de GRC com uma correta análise e antecipação dos impactos.

Tais processos de gerenciamento de riscos apareceram pela primeira vez em 1988, no planejamento das XV Jogos Olímpicos de Inverno com sede em Calgary, no Canadá, utilizando pesquisas de eventos passados com o objetivo de avaliar a exposição a riscos, contemplando a revisão de contratos e outros pontos para a construção, mesmo que de maneira simples, de uma matriz de riscos. Em 2010, nas Olimpíadas de Inverno de Vancouver, também no Canadá, o Comitê Olímpico foi responsável pela completa implementação de um programa de ERM (Enterprise Risk Management), categorizando 53 áreas de desenvolvimento com riscos agrupados em: Anteriores aos Jogos; Durante os Jogos; e Após os Jogos, fomentando uma cultura de gerenciamento de riscos a partir de uma perspectiva de gestão ativa e de antecipação à materialização de riscos potenciais, incluindo a questão do impacto em todo o ecossistema de organização dos Jogos.

Em um cenário em que riscos têm uma alta capacidade de escalabilidade com crescimento exponencial, qualquer falha tem a potência de se tornar catastrófica com grandes impactos tanto em empresas – colaboradores, investidores, fornecedores, entre outros stakeholders – quanto em megaeventos – cidades locais, atletas, staff, visitantes etc. – como as Olimpíadas. 

*Gabriel Mello faz parte do time de Research da Bravo GRC. É Cientista-Físico e morou e estudou em Tóquio entre 2019 e 2020, focando nas áreas de Gestão e Inovação.

Comportamento de Risco e a Organização: uma transferência de valores e atitudes

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Natasha Bontempi e Suelen Silva*

Não usar máscara ou se aglomerar em uma pandemia. Brincar na chuva. Dirigir em alta velocidade. Saltar de paraquedas. Ter relações sexuais sem métodos preservativos. Andar de montanha-russa. O que essas atitudes têm em comum? É o que chamamos de comportamento de risco: tomar uma decisão de forma impulsiva para conquistar um benefício de curtíssimo prazo, sem pensar nas consequências. Estímulo e resposta imediata.

Obviamente, cada uma dessas ações tem uma consequência diferente. Tomar chuva pode ser uma delícia num dia quente de verão, mas pode ocasionar um resfriado. Dirigir em alta velocidade, além de ser uma infração de trânsito, pode acarretar um acidente que impacte a vida de uma ou muitas pessoas. Andar de montanha-russa é emocionante, mas há o risco, mesmo que baixo, do brinquedo ter alguma falha mecânica e ocasionar um acidente. Saltar de paraquedas, caso não seja feito de forma extremamente prudente, com checagem de equipamentos, condições climáticas, dentre outros pontos, pode levar à morte. Não usar métodos preservativos pode culminar tanto em uma gravidez indesejada quanto em uma infecção sexualmente transmissível. Já a recusa em usar máscara, somada à aglomeração nesse momento de pandemia, pode levar, em um curto prazo, a doenças que impactam não só quem tomou essa decisão, mas também em pessoas ao seu redor e, no coletivo, a uma sobrecarga no sistema de saúde.

Esse tipo de comportamento é muito comum na adolescência, quando temos mais medo de deixar de viver do que da própria morte. É como se ela fosse algo tão distante que pareça ser inatingível.

Encontrar uma turma de amigos no meio de uma pandemia é desfrutar do prazer e das risadas sem levar em conta o risco não apenas de um adoecimento próprio, mas também das pessoas ao redor. O ser humano ainda exerce muitos comportamentos primitivos, movido constantemente por sentimentos que “cegam” e o fazem tomar decisões sem pensar nos possíveis resultados. Isso ocorre porque os humanos são seres sociais, movidos pela influência que pode tanto acentuar o comportamento de risco, quanto mitigá-lo.

A influência pode ser exercida por alguma autoridade, alguém que tem poder. Um exemplo disso é a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, tida como a governante mais eficiente no combate à Covid-19: o comportamento exemplar dela durante o enfrentamento à doença influenciou toda a população do país, sendo hoje um dos primeiros lugares do mundo a sair do quadro da pandemia e retomar com força total a sua economia. Por outro lado, pesquisas comprovam a ligação entre o comportamento de risco de governantes com aumento de casos de contaminação por Covid-19.

Além de governantes, especialistas também são muito importantes ao influenciar pessoas a terem determinados comportamentos. Ainda usando o contexto da pandemia, vemos órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou mesmo personalidades ganharem ainda mais atenção em cada pronunciamento, movimentando massas. Eles são fundamentais para combater outra pandemia: a da desinformação, trazendo dados confiáveis e orientações.

Experts nos assuntos e a liderança são, portanto, fundamentais para influenciar positivamente o comportamento humano, a fim de evitar riscos. E, para isso, é necessário ter consciência de cada ação.

E como isso se relaciona com as organizações?

As organizações são feitas de pessoas. Tratam-se de espaços sociais. É neste contexto que as pessoas se expõem e mostram muitos dos seus comportamentos mais comuns e corriqueiros. Por estarem imersas no ambiente corporativo atuando em nome da empresa, as pessoas tomam decisões, prometem, resolvem problemas, geram lucros e impactos que podem ser positivos ou negativos. Em outras palavras, elas agem em nome da empresa, como uma extensão da organização.

Nas últimas duas décadas, vimos no mundo alguns casos marcantes de escândalos que arrastaram consigo a reputação, a saúde da organização e a vida das pessoas que trabalhavam nelas.  Muitos desses escândalos foram resultado de poucos indivíduos com comportamentos de ganância e de tomadores de riscos excessivos, cujas ações levaram a consequências desastrosas. Casos de destaque como Toshiba, Enron, Tyco, WorldCom, Health South, Sadia (hedge), AIG, que sofreram com as sistemáticas manipulações contábeis e ações arriscadas no mercado realizadas pelos seus líderes e gestores.  Podemos acrescentar a este grupo de empresas, o histórico de tantas outras que sofreram perdas e danos devido a atos de corrupção e fraudes.

Um estudo publicado pela Davison, Day & Smith em 2015, analisou algumas ações de executivos fora do local de trabalho, tais como infrações e aquisições de propriedades de luxo, as quais estão altamente relacionadas à probabilidade de futuras demonstrações financeiras distorcidas, incluindo fraudes e erros de relatório de material, bem como a transferência desse tipo de atitudes para a cultura organizacional. Em um outro documento, a carta do grupo do G20 do Financial Stability Board (2015), destaca que “a escalada da falta de conduta por parte de profissionais de instituições financeiras é capaz de elevar o risco sistêmico financeiro no mundo”.

Já no artigo “Behavioral consistency in corporate finance: CEO personal and corporate leverage”, publicado pelos autores Cronqvist, Makhija & Yonker, em 2012, cujo estudo realizado teve como foco o comportamento de CEOS e a relação com a governança corporativa, os resultados apontaram que aqueles executivos que atuam em empresas com fracos mecanismos de governança conseguiram imprimir seu estilo pessoal por toda a gestão da organização, inclusive os aspectos financeiros.

Isso significa que em partes, a atitude do CEO e sua forma de lidar com as questões fora da empresa reflete também no desempenho da organização e na cultura organizacional.  Podemos então ressaltar que organizações que não valorizam a governança podem comprometer o seu estilo de gestão a cada mudança de executivo onde o comportamento corporativo pode ser muito influenciado pelo comportamento do líder, deixando de lado que a cultura corporativa e seus legados deixem de perpetuar dando lugar a preferências e atitudes pessoais do CEO.

Diante de uma fraca governança, a organização pode não conseguir imprimir sua cultura e suas boas práticas de gestão por estes fatores estarem altamente voláteis de acordo com a entrada de novos líderes.  Conseguimos então perceber o quanto as atitudes das pessoas interferem nas organizações, na sociedade e em seus colaboradores e como isso pode estimular ou frear um comportamento de risco.

Mas como contornar situações nas quais as ações individuais podem expor toda a corporação?

Endereçando uma possível solução.

Todas as organizações estão inerentes a isso e a questão é como lidar com pessoas que possuem certa conduta de risco dentro do ambiente corporativo. Eliminá-la é muito difícil, mas podemos ter mecanismos para geri-la da forma mais eficiente possível.

Uma governança rica é a resposta. Como gerir atitudes descoordenadas do ideal cultural da empresa em um ambiente de governança pobre? Não dá nem para começar a conversa. Mas com muito trabalho focado em pessoas, processos e tecnologias, é possível construir um ambiente colaborativo em que se possa ver o que se espera dessas pessoas e incentivá-las a agir dentro do esperado.

Assim, cada risco se torna uma oportunidade de endereçar melhorias, novas estratégias e um processo atento às partes envolvidas nos processos de negócios e de decisões.

Uma Cultura e Governança forte como um legado para as organizações e pessoas

Ao gerenciar uma conduta de risco, a empresa está exercendo o seu papel em busca de uma adequação de atitudes do indivíduo que podem ser transferidas para a vida pessoal, trazendo uma visão mais razoável em termos de riscos para si e para os outros. Neste momento, os aprendizados da vida organizacional transpassam a barreira para a vida pessoal, nos levando a reflexões e exemplos.

Sendo as organizações compostas de pessoas, as decisões, ainda que auxiliadas pela tecnologia, são tomadas por pessoas. Optar por um caminho com riscos calculados se dá no nível de consciência daquele determinado indivíduo e de tudo aquilo que impacta no seu ecossistema de atuação. Ter uma visão sobre quanto a sua atitude transforma para o bem ou para o mal os que estão à sua volta, deve fazer parte da composição da essência e da presença principalmente do líder. O líder e a empresa como um todo terão a chance não apenas de impactar o comportamento corporativo, mas também de influenciar as atitudes dos indivíduos fora da jornada de trabalho, prezando por mais equilíbrio e responsabilidades na sociedade.

*Natasha Bontempi é líder da área de Desenvolvimento Humano na Bravo GRC. Relações públicas, pós-graduada em Psicologia Transpessoal e instrutora sênior de Mindfulness pelo MTi.

* Suelen Silva é coordenadora da Bravo Research e mestre em Estratégia Empresarial pela FGV EAESP.